Talvez tenha sido o atestado de óbito mais alegremente exibido na história recente do país, saudado com uma intensa salva de palmas e lágrimas de emoção. Clarice, Ivo e Lucas, esposa, filho e neto de Vladimir Herzog, jornalista assassinado pela ditadura em 1975, não poderiam reagir de outra maneira. Felizes, ergueram o pedaço de papel à altura do ombro para que toda a imprensa registrasse o momento. Desde a última sexta-feira (15), quase 38 anos depois, não existe mais nenhuma dúvida sobre a falsidade da foto em que Herzog aparece enforcado numa das celas do Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações para Defesa Interna, em São Paulo. A versão que passa a valer agora, com timbre oficial, é a de que Vlado, como era conhecido, perdeu a vida em "decorrência de lesões e maus-tratos sofridos durante interrogatório em dependência do II Exército (DOI-Codi)".
Amigos, colegas e familiares sempre souberam disso. O repórter Audálio Dantas presidia o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na época em que Vladimir Herzog foi torturado e morto pelos agentes do Estado brasileiro. Foi uma das vozes que se ergueram publicamente em 1975 para denunciar o crime cometido pela ditadura – e a farsa que pretendeu emplacar na história. Na sexta-feira (15), tinha lugar reservado numa das primeiras fileiras para ver as autoridades entregarem o novo documento à família. Leia matéria via Brasil de Fato na íntegra aqui.
Por Tadeu Breda (Rede Brasil Atual)
Foto: Marcelo Camargo (ABr)


