Desafios gigantescos. Difícil pensar em outra síntese para resumir o 35º Congresso Nacional dos Jornalistas, que aconteceu no Acre, entre os dias 07 a 10 de novembro (foto). O temário geral do encontro abordou a questão do jornalismo ambiental. Em Rio Branco, aprendemos que o povo acreano é um exemplo de preservação ambiental, uma vez que mais de 80% da camada vegetal do estado se mantém intacta, deixando a área restante para manejo e extrativismo.
Ao longo dos três dias de encontro, na parte da tarde, aconteciam os debates sobre o Caderno de Teses, que contou com teses, substitutivas e emendas, a partir das teses propostas pela direção da Fenaj, contando com algumas contribuições dos sindicatos de jornalistas de Brasília, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Ceará, entre outros – o que coloca a tarefa de que no próximo Congresso os jornalistas do Paraná escrevam suas contribuições para o movimento dos jornalistas, a partir de problemas que identificamos em nossos locais de trabalho.
As principais lutas para o próximo período são: o Piso Nacional para a categoria, pauta aprovada pelo conjunto dos delegados. Elencamos também a intensificação da luta pela reconquista do diploma, cuja pauta entra na Câmara Federal, após aprovação no Senado; foi aprovada também a luta pela Democratização da Comunicação, na qual a Fenaj deve construir o Fórum Nacional pela Democratização da Mídia (FNDC) junto a diversas entidades da sociedade civil.
Destaca-se também a criação da Comissão Memória, Verdade e Justiça da Fenaj. Os debates das teses apontaram ainda que o cenário é adverso para os profissionais de jornalismo: a desregulamentação da profissão, os diversos vínculos de trabalho para burlar os direitos trabalhistas, a falta de condições para a Saúde do Trabalhador e segurança do profissional durante sua atividade, são problemas que enfrentamos em todo o país.
Houve espaço para um debate aberto em Rio Branco, no entanto percebemos a direção da Fenaj contrária à inclusão de apontamentos críticos em suas teses. A mesma postura acontecia diante da cobrança de maior envolvimento de nossa entidade em determinados temas. Houve também uma falta de preocupação com a mobilização e envolvimento de nossa categoria em suas principais bandeiras. O fato de apenas três jornalistas do Acre terem participado do Congresso é um sinal dessa falta de preocupação de nossa federação. Houve a troca de experiências importantes da luta dos jornalistas, no caso, por exemplo, de Pernambuco e Brasília – naquele período, em estado de greve pelos seus direitos. Inclusive, é fundamental maior articulação e conhecimento entre as experiências dos estados. Por isso, os desafios são gigantescos e a baixa participação em nosso Congresso mostra a necessidade de darmos novo oxigênio ao movimento dos jornalistas.
Gustavo Vidal, Julio Carignano e Pedro Carrano, delegados pelo Sindijor-PR para o Congresso Nacional dos Jornalistas (foto: Julio Carignano)

