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01/10/2015

Seminário e ato mobilizam trabalhadores contra privatizações: Petrobrás, Copel e Sanepar

Seminário e ato mobilizam trabalhadores contra privatizações: Petrobrás, Copel e Sanepar

O SindijorPR está na defesa da Petrobrás e da manutenção dos investimentos da estatal em Educação, Saúde e Segurança Pública. O sindicato também rechaça a ação de Beto Richa (PSDB) para que o Executivo não precise de autorização dos deputados estaduais para vender ações de empresas públicas e de economia mista, como a Copel e a Sanepar.


Aprovada em 2013, a Lei dos Royalties, define que 75% dos royalties do petróleo sejam destinados para a Educação e 25% para a Saúde. “Isso garante papel fundamental no projeto de desenvolvimento do nosso país. O Brasil está no ranking das 15 maiores reservas mundiais de petróleo, estamos na luta, na defesa da soberania. As riquezas naturais são do povo e não devem ser entregues às transnacionais e seus sócios”, aponta Gustavo Vidal, diretor-presidente do SindijorPR.


De acordo com Lucas Pelissari, militante do Levante Popular da Juventude e do Fórum 29 de abril, para legitimar o discurso pró-privatização, os setores conservadores se apoiam na crise política e na crise social com argumentos absurdos:

“O que acontece é que o momento é oportuno para criar a narrativa de que a Petrobrás é uma empresa ´falida´ e que, portanto, a única saída é entregá-la ao mercado. E para Serra e os tucanos, que lideraram todas as grandes privatizações da década de 90 no Brasil, a venda da Petrobrás seria extremamente interessante, tanto do ponto de vista político quanto do ponto de vista pessoal. (...) Dizer que a Petrobrás é do povo e que não permitiremos em hipótese alguma que grandes interesses internacionais passem a dirigi-la significa defender, por exemplo, os Royalties e o Fundo Social do Pré-Sal para a educação e saúde”. (Leia entrevista completa)

Debate, formação e mobilização

Dado o Projeto de Lei do Senado (PLS) 131, de 2015, do senador José Serra (PSDB-SP) que coloca em risco que a camada pré-sal seja explorada por empresas particulares e estrangeiras, reforça-se a necessidade do envolvimento da população na defesa da Petrobrás. Nesse sentido, os movimentos sociais, populares e sindicais estão organizando em todo país seminários de formação e debate e atos públicos.

No Paraná não é diferente. Nesta sexta-feira (02), acontece no auditório do Sintracon, o Seminário Estadual Soberania e Desenvolvimento: Energia, Educação, Saúde e Indústria. O espaço pretende analisar o setor elétrico desde as heranças das privatizações; a relação entre petróleo, indústria e povo brasileiro; os desafios da luta do campo e da soberania alimentar; e os desafios para ampliação dos direitos sociais, desde a relação do pré-sal com a educação e a saúde.

“Pensamos ser fundamental a participação dos jornalistas paranaenses nesse espaço. A imprensa tem papel fundamental na construção da identidade do povo brasileiro e na identificação quanto proprietários dos nossos recursos, para que estes sejam revertidos em avanços sociais para a classe trabalhadora, garantindo para todos melhores condições de vida”, diz Gustavo Vidal.


Frente aos casos de corrupção envolvendo a empresa, o diretor-presidente também relaciona com a responsabilidade das informações divulgadas pela grande mídia: “Não é cabível que, a partir das denúncias de corrupção na Petrobrás, contribuamos para a construção da ideia de desvalorização da estatal e privatização da empresa. Defendemos a investigação minuciosa e a punição dos responsáveis, mas não podemos criar relações de senso comum, como formadores de opinião, que coloquem nossos recursos em risco”, reforça.


Copel e Sanepar

Do espaço de debate e formação, será travada também a força do povo na rua. No dia seguinte ao seminário, sábado (03), está organizado em todo Brasil, o Dia Nacional de Lutas. No Paraná, o contexto ainda carece de reforço, além da defesa da Petrobrás, há a necessidade da luta contra a privatização da Copel e Sanepar.

Apresentado à Assembleia Legislativa no dia 16 de setembro, o último artigo do novo pacotaço do governo do Paraná revoga um inciso da Lei Estadual 15.608/2007. A partir deste item, o Executivo não precisa de autorização dos deputados estaduais para vender ações de empresas públicas e de economia mista, como a Copel e a Sanepar.


“Assim, Richa não só propõe a privatização, como exige que quem "negocie" as ações com os grandes empresários seja ele mesmo. Do ato privatista não poderíamos esperar algo diferente, pois essa é a política declarada e historicamente implementada pelo PSDB, o governo de Richa. Já o ato absolutamente anti-democrático, que faz com que os deputados estaduais eleitos democraticamente sejam apenas um bando de expectadores das decisões do governador, deve ser olhado pela população e pelos comprometidos com a democracia com todo desprezo”, destaca Pelissari.

Para o militante a questão é simples: a saída da crise, tanto em nível nacional quanto em nível estadual, não pode privilegiar grandes interesses econômicos e prejudicar o povo trabalhador. “Isso significaria dar mais àqueles que geraram a própria crise, com sua busca desenfreada e irresponsável do lucro, e prejudicar o trabalhador que acorda cedo todos os dias e, ao contrário, precisa é do fortalecimento das empresas estatais para satisfazer seus direitos básicos, como os serviços de água, luz e saneamento. Imagina se grandes grupos econômicos passam a controlar mais ainda partes da Copel ou da Sanepar? Já está mais do que provado que a tese segundo a qual mais mercado e a "mão invisível" da "competição" não aumentam a qualidade dos serviços para a população”.


São por esses e outros motivos que o SindijorPR, junto às organizações que compõem o Fórum 29 de abril e Frente Brasil Popular, convoca toda população para o debate e mobilização:

02/10, 9h às 18h: Seminário Soberania e Desenvolvimento - Energia, Educação, Saúde e Indústria. Evento no facebook

03/10, 9h às 13h: Ato do Dia Nacional de Lutas: "Em defesa da Petrobrás, Contra as privatizações, contra o ajuste fiscal" e, no Paraná, defesa da Copel e da Sanepar. Evento no Facebook.

03/10, 14:30h às 17:30h: Plenária Estadual do Fórum 29 de Abril, momento em que se discutirá as formas de chegar ao interior do estado, desafios e lutas conjuntas e calendário para os próximos meses.


“O trabalhador que acorda cedo todos os dias precisa é do fortalecimento das empresas estatais para satisfazer seus direitos básicos” - Em entrevista, Lucas Pelissari analisa conjuntura nacional, estadual e medidas de privatização.
Autor:Laís Melo