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notícias

28/08/2019

Jornalismo hiperlocal é necessário para combater desertos de notícias e gerar empregos

O que é Jornalismo de proximidade e quais são os desafios da profissão fora dos grandes centros? Estas foram as perguntas temáticas abordadas durante o terceiro painel do 38º Congresso Nacional dos Jornalistas. O encontro aconteceu durante a tarde do segundo dia do evento, 23 de agosto, no Hotel Sonata de Iracema, e contou com a presença de jornalistas experientes para debater algumas questões de interesse da categoria.


Mediado pela secretária-geral do Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce), Luizete Vicente, o painel contou com Mariama Correia, pesquisadora no Nordeste do projeto Atlas da Notícia; Fernando Firmino da Silva, professor doutor do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB); e Valci Zuculoto, diretora da FENAJ e professora doutora do Curso de Graduação e Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).


Como o Jornalismo ocupa o território nacional? Eis a questão que o projeto Atlas da Notícia busca responder. De forma didática e pontual, Mariama Correia apresentou um diagnóstico sobre o alcance da notícia (produção intelectual e de interesse público) nos municípios brasileiros. Segundo a pesquisa, o cenário atual tem se mostrado preocupante. Ao todo, existem 12.267 veículos de comunicação no Brasil, sendo o rádio o mais utilizado. Como esse número é distribuído? Mariama respondeu: 49% dos municípios possuem ao menos um veículo, logo, os outros 51% são considerados “desertos de notícias”.


Um deserto de notícias representa um espaço que não possui atividades jornalísticas próprias, ou seja, a vida social daquele lugar não é pautada por ninguém. As consequências de tal ausência são inúmeras para a população, como, por exemplo, a falta de novas visões e perspectivas de mundo, incluindo a falta do contraditório, que influencia diretamente na fiscalização do Poder Público, desaguando sobre o desenvolvimento, ou não, de políticas públicas. As regiões Norte e Nordeste são as que mais sofrem com essa dificuldade.


Além disso, Correia problematizou o fato de municípios estarem em processo de “desertificação”, visto que alguns veículos estão sob ameaça de fechamento. Portanto, cada território no qual existe uma única presença jornalística está vulnerável, bem como tende a não possuir coberturas satisfatórias. A jornalista também exibiu cruzamentos de informações no formato de hipóteses. Uma delas foi: onde há a presença da imprensa, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) costuma ser maior.


Fernando Firmino falou sobre as transformações pelas quais o Jornalismo vem passando, dando ênfase ao chamado “Jornalismo hiperlocal”. O atual contexto trabalhista nas redações também foi alvo de seus comentários. O professor não titubeou ao classificá-lo: “precarização”. Segundo ele, a modificação das equipes, marca do Jornalismo pós-industrial, e a adesão às redações convergentes são a demonstração do que está sendo vivenciado pela categoria.


Firmino, ao falar da hiperlocalidade, expressou esperança. Segundo o professor doutor, os critérios utilizados pela chamada grande imprensa são totalmente diferentes dos utilizados pelo Jornalismo local. A proximidade com a população propicia a aplicação de uma técnica mais humanizada, que vai ao encontro à essência da profissão: servir à sociedade.


Valci Zuculoto iniciou seu discurso fazendo uma contextualização histórica do rádio. Utilizando a apresentação inicial da jornalista Mariama Correia, Valci comentou que é possível combater os “desertos” por meio do veículo citado. No entanto, para tal ação, são necessários investimentos que possam contribuir com estudos na área. A professora fez a afirmação ao criticar os cortes na Educação realizados pelo Governo Federal, que afetaram diretamente o desenvolvimento de pesquisas e trabalhos científicos.


Zuculoto também explanou sobre a mudança das rádios AM para FM, que ocasionou a extinção de emissoras importantes. Lembrou sobre as características acessíveis e democráticas da ferramenta jornalística, que tem, segundo a profissional, o Jornalismo local como potência. Todavia, assim como outros veículos, o rádio passa por dificuldades, principalmente em relação à contratação de jornalistas. Para finalizar, afirmou o direito à informação como norte para a categoria, assim como o Jornalismo de proximidade, notável força no mercado de trabalho atual.


Assista ao vídeo do terceiro painel do 38º Congresso Nacional dos Jornalistas – Jornalismo de proximidade e os desafios da profissão fora dos grandes centros


https://www.facebook.com/jornalistaslivres/videos/403448873615432/

Autor:Alex Ferreira Fonte:Fenaj