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29/08/2018

“A visibilidade lésbica deve ser pauta cotidiana”


Foto: Flávio Augusto Laginski

Com a preocupação de fomentar o debate de pautas identitárias, que estão presentes na sociedade e na categoria, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR) promoveu a mesa “Como quebrar barreiras sendo jornalista lésbica”, na noite dessa terça-feira (28), em referência ao Dia da Visibilidade Lésbica, celebrado hoje (29).


O evento foi mediado pela diretora de relações institucionais do SindijorPR, Waleiska Fernandes, e teve como convidadas as jornalistas Letícia Paris (do portal G1 Paraná) e Giorgia Prates (fotojornalista do Brasil de Fato) e a estudante de jornalismo Patricia Zeni, do Centro Universitário Internacional (Uninter).


Em mais de duas horas de conversa, as mulheres contaram suas trajetórias, falaram sobre dificuldades que passaram quando se assumiram como lésbicas e ainda discutiram temas como racismo e feminismo. O encontrou contou com a participação de outras profissionais da Comunicação, que fizeram perguntas e interagiram.


Para Giorgia Prates, o principal enfrentamento diário no trabalho, sendo mulher e sendo lésbica, é por ser negra. “Sofri muito preconceito na minha adolescência por ser lésbica, mas agora sofro mais preconceito pelo racismo”, disse, ao comentar que essa também foi a preocupação da sua mãe quando conversaram sobre ela ser lésbica.


Letícia Paris destacou que busca sempre naturalizar o fato de ser lésbica e que, se isso a prejudicasse de alguma forma na profissão, ser jornalista não serviria para ela. Também afirmou que a visibilidade deve ser uma prática cotidiana, inserida em outras pautas, com outros tipos de referências. Paris disse que, quando recebeu a proposta de assumir o programa G1 em 1 minuto, o formato foi pensado para o perfil dela. “Ao longo desses cinco meses fazendo este trabalho, passei a receber muito mais elogios”.


A estudante Patricia Zeni falou sobre as dificuldades que enfrentou ao contar sobre sua orientação sexual para outras pessoas. Disse que “chocou” muita gente ao aparecer de cabelo curto e relatou que familiares comentaram que ser lésbica poderia ser um impedimento para achar um trabalho. “Já tive que ouvir que não poderia ir para a TV por ser lésbica. Felizmente está aí a Letícia Paris para desmentir esse absurdo”. A representatividade lésbica em todas as áreas da profissão foi um aspecto positivo apresentado pelas convidadas.


Para a diretora de comunicação do SindijorPR, Mariana Franco Ramos, eventos como esse são fundamentais não apenas para combater a lesbofobia, mas também para desafiar o apagamento, o silenciamento e a exclusão das mulheres, sobretudo as lésbicas e as negras, na mídia e na sociedade. “Queremos e precisamos realizar muitas outras rodas de conversa assim, para ouvirmos, para debatermos e para aprendermos, juntas. Sabemos que não basta um dia de visibilidade lésbica, se nos demais essas mulheres não tiverem seus direitos – à voz, inclusive, – respeitados”.


O debate foi transmitido ao vivo pelo Facebook. Assim, até mesmo pessoas de outros estados, como Stefanny Marques, que contou estar no Amapá, puderam acompanhar. Em determinado momento, um homem branco comentou: “É sério isso? O jornalismo curitibano cada vez pior e vocês discutindo isso?” Mesmo se dizendo desinteressado, ele entrou e ficou na live. Logo, a diretora de relações institucionais do SindijorPR respondeu que sim, que a entidade seguiria debatendo a pauta. Outros internautas elogiaram a discussão. “Bora superar esse ódio e tantos outros. Ótimo vídeo”, postou Alex Sannder.


29 de agosto | Dia da Visibilidade Lésbica


Marca da luta permanente das mulheres lésbicas por uma sociedade com igualdade de direitos e respeito. Tornou-se uma data de defesa, organização e luta por políticas públicas específicas e para o reconhecimento de cidadania de mulheres lésbicas.


A comemoração do 29 de agosto como Dia Nacional da Visibilidade Lésbica é um registro simbólico de um marco histórico para o movimento lésbico: a realização, desde 1996, de vários Seminários Nacionais de Lésbicas (SENALE) realizado pela primeira vez no Rio de Janeiro, para debater visibilidade, saúde e educação, reunindo mais de 100 mulheres. Tornou-se uma data de defesa, organização e luta de políticas públicas específicas e para o reconhecimento de cidadania de mulheres lésbicas.

Para saber como foi o debate, acesse este link
Autor:Flávio Augusto Laginski Fonte:SindijorPR