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12/02/2016

12 de fevereiro: Um ano de uma vitória dos trabalhadores da educação

12 de fevereiro: Um ano de uma vitória dos trabalhadores da educação
Joka Madruga

As vezes é até difícil de acreditar, parece que o tempo passa cada vez mais rápido, ainda mais quando são dias de suor e luta, e assim se completa, neste 12 de fevereiro, um ano da data em que trabalhadores(as) da educação e de outras categorias comemoravam a vitória de uma batalha que parecia ser impossível de vencer: a retirada dos dois PLs que tramitavam na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), em regime de Comissão Geral.

Para relembrar um ano da ocupação da Alep, hoje (12), a APP-Sindicato, em parceria com o SindijorPR, realizou uma coletiva de imprensa com os presidentes das entidades, professor Hermes Silva Leão (APP), Gustavo Vidal (SindijorPR) e Petruska Niclevisk Sviercoski (Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná). Os presentes falaram alguns pontos conquistados graças à mobilização de milhares de educadores e servidores públicos que estavam na ocupação.


Em suas falas iniciais, os três dirigentes ressaltaram a importância do trabalho dos jornalistas na cobertura da greve dos educadores. “Os profissionais da imprensa realizaram um trabalho comprometido com a verdade, independente do veículo que estavam vinculados, a gente sentiu muito a presença do colega trabalhador alí”, afirmou Hermes.

Gustavo reforçou o laço entre os sindicatos e também destacou o trabalho da imprensa, sabendo das barreiras que os profissionais que trabalham em veículos tradicionais enfrentam para abordar as lutas dos sindicatos. “A gente apoiou a greve antes, durante e depois. Sabemos dos limites para cobertura dos movimentos sociais que muitos jornalistas enfrentam, mas, mesmo assim, o trabalho foi bem feito, a cobertura foi isenta e fundamental para fortalecer a luta”.

Petruska, também destacou a relevância do trabalho da imprensa para fortalecer os movimentos de luta dos trabalhadores por seus direitos e lembrou que 2015 foi um ano difícil para todos os servidores públicos do Paraná: “Esta é uma data muito importante para nós, já que representa a vitória dos trabalhadores em relação a vontade do patrão. (...) Pelo menos naquele dia, conquistamos respeito pela nossa luta, pela nossa união e mobilização.”

Além disso, Hermes também abordou temas que envolvem a categoria, como a conquista judicial da APP na qual obriga o governo do Estado a divulgar os valores corretos dos salários dos(as) educadores(as), após ter dito que professores(as) ganham mais que prefeitos de 111 cidades no Paraná. Também apontou a Operação Quadro Negro, que investiga o suposto desvio de mais de 20 milhões de reais de obras em escolas por todo o Estado.

Relembre os fatos

Texto: APP Sindicato


Em novembro de 2014 educadores(as) na Assembleia Estadual da APP, em Apucarana, já previam o ano intenso que seria 2015, tanto pela reeleição do governador Beto Richa (PSDB) quanto pelas medidas de austeridade que ele já vinha promovendo no estado para cima da população e dos(as) servidores(as) públicos. Uma nova Assembleia ficou marcada para fevereiro com o objetivo de instalação de uma greve geral por tempo indeterminado.

No dia 07 de fevereiro de 2015 uma grande marcha tomou as ruas de Guarapuava, eram os(as) professores(as) e funcionários(as) de escola, anunciando que a greve começaria no dia 09, com muito mais mobilizações e um acampamento no Centro Cívico em Curitiba, por tempo indeterminado. Daí para frente tudo aconteceu de forma muito rápida.

A categoria estava cansada das artimanhas do governo e exigia, além da rejeição ou retirada dos PLs 06/2015 e 60/2015, o pagamento imediato dos salários em atraso (PSS, 1/3 de férias, auxílio alimentação, conveniadas), a retomada das negociações sobre os temas educacionais, organização escolar e do Porte das Escolas.

No dia 10, uma terça-feira, as galerias da Alep estavam lotadas de servidores(as) e do lado de fora, milhares acompanhavam a votação. No momento em que os(as) deputados(as) aprovaram o requerimento que transformou a sessão em Comissão Geral, a indignação tomou conta e, sem alternativa, os(as) servidores(as) ocuparam a Assembleia e a sessão foi suspensa. Barracas foram instaladas na rampa, água e cobertores foram distribuídos para aqueles e aquelas que estavam no plenário e nos arredores. A ideia era continuar até o governo reabrir, de fato, as negociações e debater com os(as) servidores(as) essas medidas que seriam implementadas no Paraná.

Durante o dia 11 a ocupação foi mantida e não houve sessão. Na quarta-feira, 12 o desafio foi impedir que os(as) deputados(as) entrassem na Alep para dar continuidade a sessão. Muitos(as) madrugaram em frente aos portões, todo o esforço foi suficiente para que a votação não acontecesse naquele dia. Mas o inesperado aconteceu, os(as) deputados(as) tiveram a coragem de chegar ao Centro Cívico de camburão e com uma escolta armada, cortar as grades e entrar pelos fundos para, no restaurante da Assembleia, dar continuidade à votação.

“Eu não acreditava no que estava vivendo, foi um momento que eu chorei um monte, porque eu olhava para aquele BOPE ali eu falava: gente, eu não acredito, é isso? Eles cortaram a grade não tinha entrada. Eu via nossa vitória porque nós realmente conseguimos fechar tudo e eles não tinham como entrar. Então por esse motivo, eles tiveram que fazer um jogo mais uma vez absurdo e imundo”, conta Simone Cardoso de Moraes, professora e dirigente do NS Metronorte.

Acuados(as), 44 deputados(as) deram início a sessão, enquanto lá em baixo, manifestantes atravessaram os portões da Casa do Povo entoando o hino nacional. A mando do secretário de Segurança Pública do Estado, Fernando Francischini, a Tropa de Choque da Polícia entrou em ação. Balas de borracha e bombas de efeito moral foram jogadas em meio aos(as) servidores(as). “Nós estávamos lá, no grito, eles vieram na porrada”, conta Valderes Aparecida Bueno, professora aposentada do NS Francisco Beltrão. Parecia o fim, mais de 50 mil trabalhadores(as), revoltados(as) gritavam em coro: Sem violência!

A situação ficou tão caótica que os(as) deputados(as) viram-se obrigados(as) a suspender a sessão e o governo foi forçado a pedir a retirada do “Pacotaço”. Lá fora, a chuva caia e lavava as lágrimas de fracasso que se transformaram em sorrisos de vitória. “Mesmo com todas as dificuldades nós somos absolutamente vencedores. Nós vencemos uma batalha absurda contra a pretensão do governo todo poderoso, contra a prepotência, contra o neoliberalismo e a meritocracia. Eles disseram para nós que as salas de aula com 55 alunos é importante porque até o final do ano trinta desistem. Mas eles apostam no fracasso enquanto nós apostamos na vitória”, diz Valderes indignada.

Os PLs retornaram à Casa Civil e viriam ainda gerar muita polêmica. Esta foi apenas a primeira semana de uma greve que duraria 29 dias e que retornaria em abril, com um massacre do governo ainda mais truculento para cima dos(as) servidores(as) públicos.

:: Assista aqui ao documentário “Luto pela Educação” que conta toda a luta travada pelos(as) educadores(as) paranaenses em 2015.

Autor:Laís Melo e APP Sindicato