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11/12/2015

Folha de Londrina continua desmonte da sucursal de Curitiba

Folha de Londrina continua desmonte da sucursal de Curitiba

A Folha de Londrina deu continuidade hoje ao desmonte da sucursal de Curitiba. A sucateada redação, que já chegou a contar com aproximadamente 40 profissionais, seguirá suas atividades com apenas três jornalistas, sendo duas repórteres e uma editora, além do colunista Luiz Geraldo Mazza. Foram demitidos nesta sexta-feira (11), a 14 dias do Natal, o único fotógrafo, um repórter e o motorista, que tinham entre quatro e oito anos de casa.

Apesar de rumores rondarem a empresa há algumas semanas, os profissionais foram pegos de surpresa. O anúncio foi feito enquanto os funcionários produziam, conforme orientação da chefia, conteúdos para as edições de amanhã e de domingo. Também ocorreu em meio às férias da chefe de redação e sem que nenhum dirigente sequer se deslocasse até a cidade para conversar com os trabalhadores.

Conforme lembrou, em nota, o Sindicado do Norte, “a desculpa de sempre é que há crise econômica, que o jornalismo impresso não se paga, que a internet mais atrapalha do que ajuda. Porém, o Grupo Folha acaba de concretizar a compra de uma rede de TV regional, que culminou ainda com a dispensa de profissionais que faziam a Folha TV. Não há preocupação com os trabalhadores, com a qualidade na produção das notícias e com o público, visto pelos empresários como um silencioso cliente, que aceita a tudo”.

A matriz, que em novembro de 2014 sofrera uma grande e traumática demissão, também registrou baixas hoje. No total, foram 35 desligamentos, incluindo os de uma repórter, um diagramador, um motorista e uma digitadora. É importante lembrar que ao longo do ano sete profissionais deixaram a empresa por vontade própria, diante da falta de condições de trabalho impostas. A maioria das vagas não foi substituída.

Com isso, as dúvidas sobre o futuro do jornal persistem. No caso da sucursal, os dois únicos repórteres que escreviam para o Portal Bonde já tinham sido demitidos no último ano. Agravado pela falta de planejamento e de diálogo por parte dos patrões, o novo “enxugamento” deixa a equipe remanescente sem condições de acompanhar com eficiência o que acontece em Curitiba, que é o centro das decisões do Estado.

A falta de rumo da Folha na cidade não é novidade. O jornal esteve entre os mais importante do Paraná, com sucursais espalhadas por todo o Estado e uma redação completa. Aos poucos, porém, optou por demitir sua equipe. Em 2007, voltou a apostar na Capital, instituindo um departamento grande de telemarketing e contratando mais de 20 jornalistas, para produção de um caderno próprio. A empreitada, contudo, durou pouco. Menos de dois anos depois, a empresa decidiu fechar tudo, sob alegação de que o projeto não estava dando retorno - como se o tempo fosse razoável para obter resultados.

Como herança dessa época, a Folha carrega, hoje, uma ação na justiça do trabalho, ingressada pelo SindijorPR em nome dos 18 profissionais desligados, uma vez que a demissão coletiva violou a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, que previa mecanismos de proteção ao emprego. O processo ainda corre, sendo que a empresa perdeu em duas instâncias. Mais uma vez, o Sindicato lamenta o desrespeito e a desvalorização dos trabalhadores, deixando uma pergunta: como será possível fazer jornalismo sem jornalistas?

Autor:Diretoria SindijorPR