esqueci minha senha / primeiro acesso

notícias

07/10/2015

SindijorPR apoia pesquisa sobre liberdade jornalística

SindijorPR apoia pesquisa sobre liberdade jornalística

Está disponível aos jornalistas brasileiros um questionário que visa identificar o que pensa a categoria sobre pressões editoriais provenientes de interesses alheios ao bem-público. A pesquisa nacional vem sendo organizada pelo grupo de pesquisa Comunicação e Democracia, do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e é promovida pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e SindijorPR.

“A intenção é identificar e mensurar em que grau as redações brasileiras são afetadas por relações de poder com grupos políticos e econômicos e compreender de que forma os profissionais de comunicação reagem a essas interferências externas à lógica da prática jornalística”, explica o coordenador do projeto professor Mário Messagi Jr.

Para Diangela Menegazzi, diretora de formação e ação sindical do SindijorPR, é preciso entender o real para poder incidir sobre ele: “Por isso, é superimportante que os pesquisadores do campo jornalístico se debrucem a estudar aspectos da profissão que determinam a qualidade das informações, ou que, em certa medida, vão influenciar o papel social que o jornalismo precisa cumprir em uma sociedade democrática. Esse papel é, entre outros, o de proporcionar que todos os cidadãos tenham acesso a informações de interesse público”.

O questionário está sendo aplicado em todo Brasil por meio de formulário online até o dia 7 de dezembro de 2015. O roteiro é anônimo, composto de 50 perguntas e pode ser respondido em aproximadamente 10 minutos. A intenção dos pesquisadores é ouvir cerca de 2.800 jornalistas de todo Brasil.

Acesse o link da pesquisa.

Dados do Paraná


Em 2013 uma pesquisa sobre o mesmo tema foi realizada no Paraná, apresentando uma prévia local. Os dados revelaram que grande parte dos profissionais está sujeito a pressões comerciais e políticas na rotina das redações. A maior parte tende a se submeter a infrações éticas a fim de preservar as relações de trabalho e o próprio emprego, já que se sentem desprotegidos.


De acordo com os resultados, 88,6% dos jornalistas percebe, em alguma medida, a interferência editorial originada de critérios não-jornalísticos (interesses político-econômicos, por exemplo); 74,3% já realizou pauta “recomendada” (instrução para escrever reportagem de acordo com interesses do veículo enquanto empresa) e 55,7% não concordam com as pressões, mas mesmo assim administram o impasse “com cautela”, sendo que 8,5% obedece a esse tipo de ordem para manter emprego. Outra conclusão importante diz respeito a autocensura. Prevendo o corte de textos inadequados a linha editorial do veículo, os profissionais tendem a antecipar a censura. Ao menos 70% já deixou de publicar determinado assunto prevendo o corte.


Processos posteriores


Partindo desse processo, o grupo de pesquisadores também fará análise de dados econômicos das empresas e impacto no mercado de trabalho para entender os hábitos de consumo de informação e de interação do novo leitor/ouvinte/telespectador. Tentar prognosticar as tendências promissoras para o jornalismo.


Conforme afirmam os pesquisadores um “novo paradigma começa emergir e, junto com ele, uma nova forma de democracia. O grande causador da crise é a internet, direta e indiretamente. Ela transforma o mercado publicitário, os processos e hábitos de consumo de informação e de produtos e afeta a produção e circulação de informação e a maneira de fazer jornalismo. Mas a internet, ainda que configure possibilidades de novas práticas sociais, é inerte. Por isso, é fundamental entender o novo leitor/ouvinte/telespectador e cidadão”.


Neste cenário, o jornalismo parece menos necessário, substituível por outras formas de circulação de informação, mas nenhuma delas cumpre o mesmo papel democrático, em relação a questões relativas ao Estado ou aos direitos da população.


“Nos últimos períodos, os jornalistas têm sentido grandes transformações na sua atividade profissional. Algumas delas causadas pelo que alguns especialistas chamam de falência de um modelo de negócios. Mas veja, é a falência de um modelo de negócios, não da profissão do jornalista. Com esse excesso de informações a qual estamos submetidos, exige-se mais do trabalho dos jornalistas. Mas o resultado desse trabalho (a notícia, a análise, a reportagem...) precisa ser de qualidade e em profundidade. É preciso ir além”, explica Diângela, reafirmando a importância da pesquisa.


Nesse sentido, o projeto deverá abrir o debate, a partir dos dados levantados, com o campo profissional, tanto com jornalistas que tem posição de definição editorial nos veículos tradicionais quanto com aqueles que estão buscando caminhos inovadores.


“A falência no modelo de negócios precisa ainda ser entendida. Porque sempre que falamos nisso, vem à
mente um modelo de negócios que é privado. E a comunicação pública e alternativa? Talvez tenhamos que voltar o olhar para elas se quisermos pensar em outras formas de “negócio”. Entender tudo isso, também é papel das universidades, por isso o Sindijor apoia iniciativas como o grupo de pesquisa Democracia e Comunicação”, finaliza Diângela. .

Autor:Comunicação Grupo de pesquisa Comunicação e Democracia e Laís Melo Fonte:http://www.comunicacaoedemocracia.jor.br/