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29/09/2015

Cinco meses do Massacre do 29 de abril: Não esqueceremos

Cinco meses do Massacre do 29 de abril: Não esqueceremos
Joka Madruga

Não é incomum fechar os olhos e as cenas de horror voltarem a memória. Há algo aqui dentro, angústia, indignação, vontade de transformação, que reverberam.


Hoje fazem cinco meses do fatídico Massacre de 29 de Abril que ocorreu em frente à Assembleia Legislativa do Paraná, em Curitiba. Naquela tarde, quando professores e servidores lutavam pelo não retrocesso de seus direitos, a Polícia Militar, a mando do governador Beto Richa, estabeleceu um massacre que até tentaram chamar de confronto, mas eram gritos, força e bandeiras, contra balas de borracha, bombas de gás, sprays de pimenta, cães e cassetetes: mais de 200 pessoas foram feridas.


Entre os manifestantes também estavam os profissionais da comunicação que cumpriam seu trabalho, mas ali ninguém era poupado. O repórter-cinematográfico Rafael Passos, da Catve, e dois repórteres-fotográficos, Henri Milleo da Gazeta do Povo e o freelancer André Rodrigues, foram atingidos por tiros de balas de borracha. Luiz Carlos de Jesus, repórter-cinematográfico da TV Band, com uma câmera na mão em meio a fumaças de gás, foi cravado pelos dentes de um cão do Choque.


A violência não se finda aí. São corriqueiros os casos de violência moral do Estado contra os profissionais. Constantemente, o SindijorPR lida com denúncias de jornalistas que são perseguidos e assediados quando investigam situações que colocam os políticos em questão. A situação mais delicada é a do produtor James Alberti, que teve uma tentativa de assassinato desvendada em abril deste ano, em que se revelava um esquema para matá-lo por meio de um assalto a uma churrascaria em Londrina.


Diante da ameaça, a empresa providenciou a retirada do jornalista da cidade onde realizava a investigação que envolve pessoas próximas ao governador Beto Richa, como seu parente, Luiz Abi Antoun, e o ex-inspetor geral de fiscalização da Receita Estadual, Marcio de Albuquerque Lima.


Deste cenário, o SindijorPR criou e segue organizando a campanha ´Basta: Chega de perseguição a jornalistas´. “É inaceitável os profissionais da imprensa sejam perseguidos e ameaçados, quando não agredidos na prática, por cumprirem seus papéis quanto trabalhadores, divulgando os fatos de interesse público. O dia 29 de abril é o exemplo máximo dessa violência do Estado, estamos organizados e mobilizados para coibir essas ações, principalmente no interior onde acontecem com mais facilidade”, afirma Gustavo Vidal, diretor-presidente do Sindicato.


Não esqueceremos


Os professores estaduais, para manter a memória viva, a partir de deliberação do Conselho e da Assembleia da APP-Sindicato, nesta terça-feira (29) promovem mobilizações nas escolas públicas da rede estadual de ensino. Entre as ações está proposto uma oficina que se produzam redação e desenhos com o tema: “A ESCOLA QUE QUEREMOS”.


“Vamos realizar um dia de luta e resistência em cada escola do nosso Estado. Considerando que o ajuste fiscal do governo Richa, do PSDB, penaliza a população, servidores e, mais diretamente, professoras, funcionárias e, por consequência, a comunidade estudantil, que tem – com essas medidas – a qualidade da aprendizagem mais precarizada”, explica o presidente da entidade, professor Hermes Silva Leão, para o site da APP-Sindicato.

Autor:Laís Melo - Informações: Terra Sem Males e Gazeta do Povo