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14/08/2014

Jornalistas foram à Boca Maldita exigir respeito dos “donos da mídia”

Jornalistas foram à Boca Maldita exigir respeito dos “donos da mídia”

Durante a panfletagem pelas ruas de Curitiba, na manhã do dia 12 de agosto, um dos sentimentos da população era por repúdio em relação à política. Essa postura se confundia com a luta por direitos dos jornalistas. As pessoas não queriam receber os informativos confundindo com propaganda eleitoral. Mas bastou um minuto de atenção para entender que ao ler os jornais, assistir noticiários na TV e ouvir o rádio, a sociedade se informa sobre as mais diversas lutas. Isso foi consenso.


Agora ao perguntar: você conhece a realidade dos jornalistas? Dos trabalhadores que produzem a informação? Todos, sem ressalva, respondiam que não conheciam a realidade do jornalista. Após um pouco de atenção, as pessoas pararam para refletir sobre isso. Concordaram que desconheciam a realidade de quem produz a informação. 


Jornalistas na Boca: Mesmo com a correria do dia a dia, os trabalhadores (cerca de 50 profissionais passaram pela Boca e panfletaram ao lado do Sindijor – veja galeria de fotos aqui) levaram à sociedade a realidade da profissão. A verdade é que os problemas dos jornalistas nunca foram tão omitidos pelas empresas de comunicação como vem acontecendo atualmente.


Enquanto os empresários da comunicação ampliam seus lucros, os jornalistas do Paraná, há anos, têm seus salários defasados. A atual negociação da categoria está travada em virtude da intransigência dos patrões que se negam a renovar a Convenção Coletiva de Trabalho com 1% de aumento real! O patronato aceita conceder apenas 4.68% referente a inflação medida pelo INPC/FGV do período. Leia informações sobre a Campanha Salarial aqui


Por isso todos os trabalhadores jornalistas do estado querem saber: por que tanta intransigência para fechar uma CCT com aumento real?


O jornalista paranaense convive com acúmulo de trabalho, pressão, jornada excedente, horas-extras não pagas, falsos estágios, assédio moral, ameaças, ingerência de terceiros, desrespeito e precarização. E quando alguém se “arrisca” a participar de discussões relativas à categoria, sofre pressão dentro das redações por parte dos patrões e das chefias, inclusive com demissões sumárias.


Documento


No início de agosto os Sindicatos que defendem os jornalistas no Paraná encaminharam documento aos representantes das empresas de comunicação. Os jornalistas paranaenses não aprovam a contraproposta patronal de assinatura da CCT 2014 apenas com reposição da inflação. O patronal respondeu dizendo que mantém a contraproposta apresentada no último encontro.


“A posição dos patrões é mais um sinal claro de que no negócio do jornalismo o que menos importa é garantir condições mínimas para quem constrói a notícia, logo as empresas não têm o jornalismo como atividade fim e sim o interesse particular dos donos”, explicou o presidente do Sindijor, Guilherme Carvalho.


Os patrões dividem o ônus e levam o bônus


Dados do Projeto Inter-Meios, instituto que faz levantamentos do volume de investimento publicitário em mídia no Brasil, no segundo semestre de 2013 os números, no acumulado entre janeiro e novembro, apontam que faturamento dos donos da mídia cresceu 6,1%. Entre janeiro e novembro, os veículos receberam um investimento total de R$ 29.045 bilhões. Desse montante, a maior parte (67%) continua nas mãos da Televisão, que acumulou crescimento de 9,4% até novembro de 2013.


No segmento Rádio o crescimento também foi positivo, aumentando em 10,3% seu faturamento. Apesar dos números, os empresários continuam com a falácia que não podem bancar sequer 1% de aumento.


Panorama


Os jornalistas vêm noticiando que quase todas as categorias tiveram aumento acima da inflação. Segundo pesquisa do DIEESE divulgada em julho (2014), 2013 foi o melhor ano para negociação salarial entre patrões e empregados. No ano passado, 95% dos 685 pisos salariais analisados pelo Departamento tiveram reajuste acima do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). O reajuste médio foi de 2,8 pontos acima da inflação.


No Paraná, 56,20% dos jornalistas empregados em meios de comunicação têm uma média salarial de R$ 1.881,67, um valor R$ 723,53 abaixo do piso do jornalista, que é R$ 2.605,20.


“Falso estágio”:O estágio em jornalismo deveria ser encarado como a atividade formativa, mas a realidade é bem diferente. Especialmente no interior do Estado, as redações de jornais, rádios, televisões, sites e assessorias estão recheados de estagiários sendo utilizados como mão-de-obra barata pelos donos da imprensa.


Estudantes de jornalismo, com mesma carga horária dos jornalistas formados, substituem a mão de obra e se tornam mão-de-obra barata. Como resultado o mercado se fragiliza. Para o Sindijor, o estágio deve ser estimulado, opcional e supervisionado. Uma complementação da formação profissional. Não pode ser uma forma de substituição de profissionais no mercado de trabalho.


Jornada


Em municípios do interior do Paraná é comum o jornalista trabalhar de 8 a 10 horas no mesmo emprego, quando a legislação da categoria prevê jornada de 5 horas. Grande parte das empresas se recusa a fazer esse controle da jornada, não pagam hora-extra e criam banco de horas sem qualquer negociação com o sindicato.


BANCO DE HORAS:algumasempresas têm adotado banco de horas sem qualquer fiscalização ou diálogo com os Sindicatos. O objetivo é evitar o pagamento de horas extras aos trabalhadores. Na prática trata-se da troca do dinheiro das horas trabalhadas pelo acúmulo em um “banco”, dessa forma as horas de atividade são trocadas por dias de folga. Basicamente é uma forma de flexibilizar a jornada de trabalho sem arcar com os benefícios devidos aos trabalhadores.


No “banco” as horas a mais são retiradas como folga quando a chefia achar conveniente. Além disso, não há acumulo para aposentadoria e férias. Assim, os patrões economizam e deixam de pagar horas extras em dinheiro; flexibilizam a jornada, dificultando que o trabalhador tenha outras atividades. Na prática, as chefias podem determinar quando o trabalhador poderá tirar folga.


Vale lembrar que os funcionários podem aceitar ou não a implantação de banco de horas nas redações de jornalismo, porém a implantação deve ser referendada pelo Sindicato da categoria. De outra forma, é irregular.

Autor:Julio Carignano (Edição: Regis Luís Cardoso) Fonte:SindijorPR