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11/12/2003

Gazeta do Povo faz negociação da convenção emperrar

Uma fonte bem informada do sindicato patronal contou ao Sindijor que a negociação da convenção coletiva 2003-2004 estava concluída e atenderia a nossa reivindicação mais urgente, a reposição da inflação (17,51%). Porém, a Gazeta do Povo, empresa que tem efetivamente voz e vez dentro do sindicato patronal, paralisou a iniciativa. Alegando que teria muitos custos com a reposição integral das perdas, o jornal simplesmente bate o pé e impede a conclusão da convenção coletiva, que foi a dissídio após uma longa negociação. É mais um capítulo na trajetória de afrontas da Gazeta aos jornalistas – profissionais que movem a empresa. É bom lembrar que há dois anos a Gazeta cortou a gratificação de aniversário, que era dada todos os anos; num ato de ultraje às leis trabalhistas, realizou uma demissão coletiva, no início de 2001, desempregando 31 jornalistas. Por certo, a Gazeta não está em dificuldades financeiras, pois o Grupo RPC está adquirindo da Rede Globo metade da TV Paranaense, certamente no intuito de crescer e ficar mais poderoso. Enquanto profissionais de outros departamentos da Gazeta são muito bem remunerados e andam em carros do ano, aos jornalistas é sonegado o elementar direito de não ter seus salários arrochados.

Também é bom lembrar que a Gazeta tem como slogan “Respeito por você”. A quem eles se dirigem quando dizem isto? Aos jornalistas, certamente que não. Parece que, para a direção da Gazeta, jornalista é um produto da bolsa de mercadorias, cujo “valor” é ditado pela lei da oferta e da procura. Os exemplos do desrespeito são gritantes, mas agora não apenas os seus empregados são vítimas da indiferença. Toda a classe jornalística do Estado está à mercê dos caprichos da Gazeta. Afinal, a negociação como um todo foi atrapalhada pelos recursos protelatórios dos patrões, no que a Gazeta deve ter contribuído em muito. “Mais prazo” era a palavra de ordem dos representantes dos donos das empresas, que com esse discurso durante dois meses tentaram nos cercar numa negociação desvantajosa. A postura do Sindijor sempre foi franca e aberta, criando sempre condições para uma negociação viável. Mas, do outro lado, o que vimos foi um jogo de dissimulações, com o claro intuito de nos prejudicar. O que queremos é, antes mesmo da sentença sobre o dissídio, chegar a um acordo com os patrões para que, o mais rápido possível, os jornalistas passem a receber a reposição salarial. Isto, é claro, se a Gazeta deixar.

Histórico da luta

Dia 21/07/2003 – O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Londrina apresentam antecipadamente a proposta aos patrões a fim de abreviar a negociação. É lançada a campanha salarial 2003-2004.

Dia 01/08/2003 – Em cumprimento aos prazos legais, proposta dos trabalhadores é oficialmente entregue aos patrões.

Dia 29/08/2003 – Cansado de esperar por uma resposta à proposta, o Sindijor solicita uma mesa-redonda na Delegacia Regional do Trabalho.

Dia 23/09/2003 – Na abertura da mesa-redonda na DRT, patrões fazem proposta de reajuste de 10% para quem ganha até R$  1.500,00; acima disto, a correção seria de apenas 5%. O piso seria congelado, e o anuênio suspenso.

Dia 25/09/2003 – Assembléia no Sindijor rejeita terminantemente a proposta patronal.

Dia 29/09/2003 – Fim da mesa-redonda na DRT. Não há acordo. Fica acertado que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Londrina vão negociar diretamente com os patrões.

Dia 06/10/2003 – Primeira reunião após a mesa-redonda. Os jornalistas reafirmaram que não abrem mão da reposição da inflação. Foram reivindicados ainda a implantação do vale-refeição e o pagamento dos direitos autorais.

Dia 14/10/2003 – Patrões retornam, mas dizem que não têm números conclusivos para fechar negociação.

Dia 22/10/2003 – Patrões fazem novamente proposta absurda, que resultaria na perda de três meses de salário no ano.

Dia 24/10/2003 – Reunidos no Sindijor, jornalistas aprovam o dissídio coletivo.

Fonte:SINDIJOR-PR - tele-fax (41) 224-9296